
Uma dessas pessoas é Gilberto Rodrigues Campos. Ele tem 67 anos e está intubado por conta de complicações da Covid-19 há quase um mês. Segundo a família, durante todo esse tempo, ele ficou internado na sala de estabilização a espera de uma UTI.
"Foi intubado no dia 31 de março de 2021 e transferido para a sala de estabilização do mesmo hospital. E até hoje, dia 22 de abril de 2021, nunca houve uma transferência para um leito de UTI, tão necessário para a situação atual que ele se encontra", conta o filho dele, Elias Pereira.
Desesperados, os parentes procuraram o Ministério Público do Tocantins. No documento, a promotoria pede que a transferência seja feita com urgência, considerando o estado de saúde e a necessidade do leito de UTI para o tratamento do paciente.A Justiça decidiu que o estado deve providenciar o encaminhamento do paciente para a UTI da rede privada, não sendo admitido a 'omissão injustificada', que é quando existem leitos vagos ou quando se faz escolha aleatória de outros pacientes.
"Façam essa transferência do meu pai para um leito de UTI, aumentando assim a chance de melhora, de vida e de retorno para casa. A família está muito triste, muito abatida, muito preocupada com essa situação toda", completa.
Atualmente a rede de saúde pública do Tocantins conta com 189 leitos de UTI exclusivos para o tratamento da Covid-19, eles estão distribuídos em 11 hospitais, públicos ou privados com convênios com o Estado.
Segundo o Portal Integra da Secretaria de Saúde do Estado, até o começo da noite da quinta-feira (22), entre os 14 leitos bloqueados, sete estão Hospital Santa Thereza, em Palmas, que é particular, mas que tem 20 leitos contratados pelo governo para atendimento exclusivo do SUS. Os outros sete são no Hospital Regional de Gurupi. Segundo o Instituto que administra essas unidades, faltam medicamentos.
"Mesmo com todas as ações para racionar o uso e redução do consumo, infelizmente chegou em um momento em que a falta de insumos é nacional. Você não consegue encontrar em vários hospitais públicos, privados, distribuidoras, indústrias que produzem o medicamento", diz Vinicius Menezes, gestor de assistência e qualidade do Isac.
A Secretaria Estadual da Saúde disse que entrou em contato com as empresas terceirizadas na busca pelos insumos. Na quarta-feira (21) o Hospital Geral de Palmas tinha um leito bloqueado e o Municipal de Campanha de Araguaína outros dois, esses leitos já foram reativados. Para a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), é dever do estado manter os leitos funcionando."Nós temos que abrir leitos para poder acolher as pessoas, mas isso tem um limite. E tá claro que este limite já foi extrapolado. Porque tá claro que esse limite foi extrapolado? Tão faltando insumos, tão faltando profissionais e isso é um indício inequívoco de que o aumento de leitos foi acima da capacidade que o sistema pode suportar", diz Ederlon Rezende, que é membro do conselho da Amib.
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