General Augusto Heleno e Hamilton Mourão rechaçam golpe

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Ministro diz que não passa pela cabeça do presidente a idéia de ‘intervenção militar’

BRASÍLIA – Seis dias depois de publicar a “Nota à Nação Brasileira” em tom de ameaça ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reclamar de uma possível apreensão do telefone celular do presidente Jair Bolsonaro, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, adotou um tom mais ameno. Em entrevista na porta do Palácio da Alvorada, ele disse nesta quarta-feira, que a nota era “genérica”, “neutra” e que houve “distorção” de suas palavras quando declarou no comunicado que, caso fosse aceito, o pedido de partidos à Corte poderia ter conseqüências “imprevisíveis” para a estabilidade nacional.

Na conversa com os jornalistas, Heleno observou que não citou o nome de ninguém na nota, embora se referisse à medida adotada pelo ministro Celso de Mello, do STF de encaminhar a solicitação de recolhimento do celular de Bolsonaro à Procuradoria-Geral da República. O general aproveitou para dizer que não passa pela cabeça do presidente ou de ministros qualquer ideia de tentativa de “intervenção militar”.

O discurso de Heleno foi reforçado por declaração do vice-presidente. O general Hamilton Mourão reiterou ao Estadão que “não existe” possibilidade de ameaça às instituições, que isso está “fora de cogitação”. Embora na reserva e não fale pelas Forças Armadas, o general voltou a servir de bombeiro e procurou adequar o tom do discurso militar de respeito à Constituição ao do governo.

Interlocutores militares observam que Heleno não manda em nenhum soldado do Exército. Mas, embora seja general da reserva, tem respeito da caserna e, nos últimos meses, consolidou-se como um nome político influente, atingindo 922 mil seguidores só no Twitter. Isso quer dizer o seguinte: na cúpula militar, especialmente no Alto Comando das Forças Armadas, a hipótese de ruptura democrática é limitada à guerra política. Logo, os discursos que sugerem golpe são “inaceitáveis” e não entram nem mesmo nas reuniões dos oficiais.

 

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